Liberalismo político: John Locke (sugestão de aula)

Gostaria de compartilhar com vocês algumas estratégias metodológicas que utilizo nas minhas aulas quando o assunto é filosofia política. As práticas que eu descrevo abaixo são para uma primeira aproximação do aluno com o tema estudado. O Silvio Gallo chama esse tipo de prática de "sensibilização". Não acho esse termo muito bom, mas por falta de um melhor vou utilizá-lo aqui e em outras ocasiões.

Por meio da dinâmica a seguir tenho conseguido alcançar meu objetivo: envolver os alunos com o tema. Espero que ela também seja útil para outros colegas de profissão. 

PASSO A PASSO

1º PASSO: Peça aos alunos para formarem grupos com até 5 integrantes e se organizarem em pequenos círculos. 

2º PASSO: Exponha para eles o seguinte cenário fictício: eles fazem parte de um grupo que vive vivendo em mundo sem Estado, não há leis escritas. Esse grupo não vive numa situação de plena violência, todos reconhecem que cada indivíduo possuem direitos básicos que devem ser respeitados. No entanto, mesmo assim é comum que alguns indivíduos atentem contra a integridade física de outros. O grupo então decidi criar um poder central,o Estado, para fiscalizar essa convivência, assegurando a integridade de todos. 

3º PASSO: Solicite aos alunos que eles discutam e cheguem a um consenso sobre: a) Três direitos fundamentais que cada indivíduo deve possuir e que cabe ao Estado assegurar; b) Duas medidas que podem ser adotadas pelo grupo caso os administradores do poder estatal desrespeitem esses direitos. 

4º PASSO: Diga para os alunos escreverem numa folha separada o que foi decidido. Eles devem ainda justificar as escolhas. Recolha as folhas. 

DISCUSSÃO: O objetivo dessa sensibilização é preparar o aluno para o tema "liberalismo político". Quando trabalho liberalismo com os alunos faço uma abordagem menos centrada em um autor, e sim nos temas relevantes para essa corrente teórica como: direitos individuais, tirania da maioria (Stuart Mill), separação dos poderes (Montesquieu), tolerância (Locke/Popper), direito de resistência (Locke/Thoreau). Contudo, o ponto de partida da discussão liberal é sempre a noção de direitos individuais, ou direito natural, formulada por Locke no "Segundo tratado sobre o governo". 

Por meio da atividade acima é possível abordar a concepção lockeana de direito natural, apontando sua relevância a tradição liberal e para as democracias modernas. O conceito de contrato social formulada por Locke também pode ser discutida por meio dessa atividade, bem como a crítica lockeana ao absolutismo da filosofia política de Hobbes. Além disso, o professor pode explicar a noção de direito de resistência presente na tradição liberal. Para isso, deve-se explicar em quais situações Locke considera legítima a dissolução de um governo. É possível também uma exposição da noção de "desobediência civil", tomando por base o clássico manuscrito de Thoreau.
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