O mundo moral da família Simpson (estudo dirigido)

 
 




Confiram um trecho do livro "Os Simpsons e a filosofia". Nesse texto aspectos da ética de Kant são tratados a partir do personagem Homer Simpson. No final do texto há três questões para estudo e o episódio mencionado.







O que é a bondade moral? Uma característica central do ponto de vista moral, de acordo com Imannuel Kant, é um compromisso com a realização do “dever”. O termo “dever” implica a presença de duas forças contrárias. De um lado temos nossos desejos, sentimentos e interesses espontâneos - incluindo nossos medos e ódios, nossos ciúmes e inseguranças. Do outro lado, há o que alguém acredita que deve fazer e o tipo de pessoa que deve ser. O termo “dever” sugere que essas duas forças vivem em constante conflito; e, consequentemente, fazer o que se deve fazer e tentar ser o que se deve ser pode ser difícil ou doloroso, envolvendo sacrifícios de vários tipos. O indivíduo que se compromete a manter um ponto de vista moral – o modelo moral ideal – é aquele que resolve se subordinar e sacrificar, se necessário, os desejos, sentimentos e interesses pessoais em nome do dever – para fazer a coisa certa ou se tornar o tipo certo de pessoa. Os episódios de Os simpsons costumam destacar o conflito entre desejos, sentimentos e interesses pessoais de um lado, e o senso de dever moral, do outro.

[...] No episódio “Propriedade indesejada”, Marge arruma um emprego de corretora imobiliária. Está cansada de ver seus serviços totalmente altruístas serem ignorados pela família. [...] Marge quer uma carreira em que possa provar seu valor e suas habilidades para si mesma, para família e para a sociedade maior de Springfield. Quando é apresentada aos colegas na firma, vemos que ela está entrando num mundo de competição, no qual um quer cortar a garganta do outro. Um corretor venenosamente mais velho [...] está à beira de um total colapso pessoal. A princípio, Marge não tem consciência desse ambiente, vestindo com entusiasmo e orgulho o imponente casaco vermelho da empresa. O problema é que Marge quer sinceramente ajudar os clientes, e está pronta para sacrificar seus interesses próprios em nome do dever honesto. Confiando em Marge, amigos e vizinhos seguem a opinião dela. Respeitando essa confiança , Marge diz o que ela realmente acha das casas que as pessoas estão interessadas em comprar. Ela é honesta com os clientes, sentindo com eles os laços de amizade nessa comunidade intimamente ligada, e como resultado não faz as vendas que lhe garantiriam sua posição na imobiliária. Ela não consegue “fechar” os negócios.

Marge defende seus métodos ao conversar com o delicado gerente, Lionel Hutz: “Bem, como a gente diz: A casa certa para a pessoa certa!” Lionel diz: “Ouça, deixe-me contar-lhe um segredinho, Marge. A casa certa é aquela que está à venda. A pessoa certa é qualquer pessoa”. “Mas eu só falei a verdade!”, retruca Marge. “Claro que falou”, diz Hutz. Mas há verdades” (ele franze a testa e balança a cabeça negativamente) “e verdades” (agora ele faz uma expressão animada e um sinal positivos com a cabeça). Uma venda poderia ser feita se ela expusesse o produto sob a luz certa: chamar uma casa pequena e apertada, por exemplo, de “aconchegante”; descrever uma velharia caindo aos pedaços como “o sonho de quem gosta de trabalhos manuais”, e assim por diante. Marge não se convence, mas acaba enfrentando a opção: perder o emprego ou omitir um pouco a verdade. No conflito entre o interesse pessoal e o dever moral, vemos que ela é pressionada a escolher o primeiro por causa das estruturas subjacentes da organização social competitiva. Mudando o modo de falar com o cliente, Marge faz uma grande venda, escondendo dos ingênuos Flanders o fato de houve um brutal assassinato na casa que eles estão comprando. Ela tenta encontrar prazer na posse do cheque dos Flanders, sinal de seu sucesso na carreira escolhida, o tributo ao seu valor como pessoa. Mas sente culpada por sentir que cometeu uma traição ao dever. Seu senso de dever acaba triunfando sobre o desejo e interesse pessoal. Ela decide arriscar o sacrifício de tudo por que aspirou, e volta a contar aos clientes a história completa da casa.

QUESTÕES 

1. O texto e o episódio mostram que Marge no final Marge privilegiou a lei moral ou o agir por interesse? Justifique.
2. Em qual momento do episódio Marge privilegiou mais seus interesses particulares do que a lei moral?
3. No ambiente de trabalho de Marge havia espaço e oportunidades para pessoas que agiam moralmente? Justifique.

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