Lisa Simpson: moral e felicidade (estudo dirigido)




Nesse texto aspectos da ética de Kant são abordados a partir do personagem Lisa Simpson. No final do texto há três questões para estudo e o episódio da série mencionado.







A consciência moral diligente é mais bem retratada, em termos gráficos, no personagem da pequena Lisa Simpson, aluna do segundo ano escolar. Lisa tem um profundo senso de dever moral. A moralidade da menina, porém, não é individualista, institucionalmente orientada, como a de Flanders, confiante na autoridade da Bíblia e da Igreja. A moralidade de Lisa é oriunda de uma reflexão pessoal precoce sobre os grandes temas da vida moral: ser honesto, ajudar aqueles em necessidade, compromisso com a igualdade humana e a justiça. Lisa nos mostra como é difícil, às vezes, viver segundo esses princípios diante dos levianos compromissos convencionais com o status quo. Isso aponta para outra característica central da moralidade, de acordo com Kant. A moralidade é, em essência, determinada internamente. Ela desperta da reflexão pessoal, e não das convenções sociais externas ou de ensinamentos religiosos autoritários. Ela envolve clareza e consistência nos princípios pelos quais uma pessoa viva sua vida.

Em “Lisa a iconoclasta”, Lisa descobre que o lendário e supostamente heróico fundador de Springfield era na verdade um terrível pirata, que tentou matar George Washington. Lisa tira nota vermelha por seu ensaio: “Jebediah Springfield: superfraude”. A professora explica. “Isso parece uma descrição policial: homem branco morto por assassino desconhecido. São mulheres como você que impedem a nós, outras mulheres, de achar um marido”. Lisa está apenas tentando dizer a verdade, da maneira como a descobriu. Não é a verdade disfarçada da profissão de vendedor, mas uma verdade objetiva, histórica e científica, a ser defendida como um valor inerente, quaisquer que sejam as consequências e os sacrifícios. [...] Lisa concentra-se em princípios morais inescapáveis e deixa as outras pessoas incomodadas com os compromissos convencionais. Por isso, ela acaba ficando isolada, e sofre intensamente com esse isolamento. 

[...] O que faz de Lisa mais do que uma criança boazinha é o fato de ela ser extremamente sensível, com um grande desejo de felicidade pessoal. A natureza conflitante do dever moral, com sua tendência a exigir o sacrifício pessoal, é devidamente representada aqui em toda a sua pungência. Ela recebe todo o sofrimento que um compromisso com um princípio pré-determinado pode criar numa criança sensível e precoce. Seu profundo amor pela vida e pela beleza, aliado a um não menos profundo compromisso com a verdade e a bondade, manifesta-se nas frustrações e tristezas que ela expressa nos sons tristes e melancólicos do saxofone, tocando jazz. Kant afirma que a beleza e a arte convertem em uma presença sensível as possibilidades de uma vida moral superior. Quando a vida real parece dar pouca ou nenhuma atenção a tais possibilidades, o doloroso grito da alma de Lisa encontra uma válvula de escape na lamúria do saxofone. No personagem de Lisa, a comédia de Os Simpsons não nos permite esquecer uma profundidade da tragédia.

QUESTÕES 

1. A moralidade de Lisa é oriunda de convenções sociais e ensinamentos religiosos? Justifique sua resposta.
2. Como as outras pessoas ficam diante do agir moral de Lisa?
3. É possível afirmar que Lisa alcança a felicidade por agir moralmente? Justifique sua resposta.

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