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Agostinho e o declínio do Império Romano (filme online)


Confiram esse filme sobre a vida do filósofo cristão Agostinho de Hipona. Santo Agostinho presenciou uma dos grandes momentos da história, a decadência do Império Romano.








South Park e a Filosofia


O livro South Park e a Filosofia foi organizado por William Irwin e conta com textos de 23 estudiosos. No livro vemos temas de interesse filosófico sendo explicados a partir de episódios da hilária série. Aqui disponibilizarei alguns estudos dirigidos com textos retirados do livro. Junto com os textos vocês encontram também os episódios mencionados disponíveis para download.






O diálogos de Kyle e Stan (estudo dirigido)


O texto a seguir foi retirado do livro "South Park e a Filosofia" e trada de temas relacionados à ética aristotélica. No final do texto questões de estudo e os dois episódios mencionados no texto disponíveis para download.



Parte do que faz South Park filosoficamente interessante é o contraste entre a estupidez má de Cartman e a virtude não-conformista e reflexiva de Kyle e Stan. Filósofos como Platão e Aristóteles (384-322 a.C.) notaram a a importância do quanto a reflexão crítica leva à harmonia ou ao equilíbrio e nos ajuda a evitar os extremos. [...] Seguindo os passos de Platão, Aristóteles propôs a ideia de que a virtude se preocupa em alcançar um equilíbrio ou acertar uma marca entre dois pontos de vista, ideias, crenças, emoções ou ações extremas. South Park trata de assuntos morais por meio de uma discussão e crítica da posições "morais" estabelecidas, sejam elas conservadoras ou progressistas, as quais parecem ser inadequadas. Kyle e Stan tem uma posição virtuosa, em parte ao negociar e ouvir esses pontos de vista antes de chegarem às suas próprias conclusões, por meio do questionamento e da razão. Frequentemente, sua conclusão reconhece que há alguma verdade em alguma posição, mas que sua perspectiva limitada ainda é perigosa. Por exemplo: é verdade que carros híbridos são mais responsáveis em âmbito ambiental, do que veículos utilitários que bebem gasolina. Entretanto, quando um pouco de superioridade moral forma uma nuvem no julgamento de uma pessoa, essa "nuvem orgulhosa" cria hostilidade e polui a sociedade de outras formas.

Como Stan e Kyle chegam às suas conclusões é mais significativo do que as próprias conclusões. Pense em como eles discutem se é errado matar o avô de Stan, que quer morrer. Eles assim como Sócrates, questionam as pessoas ao seu redor, procurando saber se as pessoas são tão sábias quanto acreditam ser. Seus pais, o sr. Garrison e Jesus não vão discutir ou tocar nesse assunto [...]. O que Kyle e Stan, por fim, percebem - com a ajuda do fantasma do tris avô de Stan - é que eles não devem matar o avô de Stan, pois a ação iria mudá-los e prejudicá-los. Como resultado, o avô de Stan está errado em lhes pedir que tomem essa ação cruel. Note que os meninos chegam a essa conclusão mediante a convivência, reconhecendo suas diferenças e participando do debate. Stan e Kyle - ao contrário Cartman - aprendem a ver as coisas pela perspectiva dos outros, por meio de suas constantes conversas.

Episódio: Alerta de Smug

Episódio: Morte

Senha para descompactar: osgriffins.blogspot.com.br

QUESTÕES

Com base na filosofia moral de Aristóteles, o texto acima e os episódios mencionados, respondam as questões abaixo.

1. Por que é possível afirmar que Stan e Kyle agem de maneira virtuosa?

2. É possível afirmar que tanto conservadores quanto progressistas não agem de maneira virtuosa no episódio "Alerta de Smug"? Justifique sua resposta.

3. Por que o autor do texto afirma que Satan e Kyle têm uma atitude socrática?

Uma lição de lógica de South Park (estudo dirigido)



O texto a seguir foi retirado do livro "South Park e a Filosofia" e trada de temas de lógica formal. No final do texto há duas questões e os dois episódios mencionados no texto disponíveis para download.









De um modo geral, existem dois tipos diferentes de argumentos: argumentos dedutivos e argumentos indutivos. Nos argumentos dedutivos, o locutor pretende que a conclusão siga as premissas com absoluta certeza de forma que, se todas as premissas forem verdadeiras, a conclusão deverá ser verdadeira sem nenhuma sombra de dúvida. Dizer que uma conclusão segue uma premissa significa que é justificável termos racionalizado apropriadamente a partir de uma afirmação (a premissa) para outra afirmação (a conclusão). Cartman cria um argumento dedutivo no episódio "A conspiração da fada dos dentes", que é mais ou menos assim:

Premissa 1: Se os meninos juntarem os dentes que caíram, vão ganhar dinheiro da Fada do Dente.
Premissa 2: Se ganharem dinheiro da Fada do Dente, poderão comprar um Dreamcast da Sega (videogame)
Conclusão: Portanto, se os meninos juntarem os dentes que caíram, poderão comprar um Dreamcast da Sega (videogame).

Podemos ver que, com as duas premissas são verdadeiras , a conclusão deve ser absolutamente verdadeira. Também podemos ver que não existe outra conclusão que possa ser corretamente formada a partir dessas premissas. Na verdade, ao observar as premissas, é possível saber a conclusão antes de lê-la.

Nos argumentos indutivos, o locutor pretende que a conclusão siga as premissas em um grau de probabilidade ou possibilidade de forma que, se todas as premissas forem verdadeiras, a conclusão provavelmente ou possivelmente será verdadeira, porém ainda é possível que a conclusão seja falsa. No episódio "Toalhinha", os meninos percebem que, quando falam sobre qualquer coisa que tenha a ver com toalhas, Toalhinha aparece, e eles racionalizam assim:

Premissa 1: Porque, no passado quando mencionávamos coisas relacionadas a toalhas, Toalhinha aparecia.
Premissa 2: E que vamos mencionar algo relacionado a toalha agora.
Conclusão: Podemos concluir que Toalhinha vai aparecer.

Podemos observar, desde que as premissas sejam verdadeiras, que a conclusão, provável ou possivelmente, é verdadeira, mas não é definitivamente verdadeira. Faz sentido concluir que Toalhinha vai aparecer, graças à experiência passada. Mas a verdade sobre a aparição de Toalhinha no passado não garante que, com absoluta certeza ou sem dúvida, Toalhinha vai aparecer. Ainda é possível que Toalhinha não apareça, portanto a conclusão é meramente provável ou possível. No episódio, Toalhinha aparece, mas não precisaria, necessariamente, ter aparecido.

Episódio: A conspiração da fada do dente

Episódio: Toalhinha

Senha para descompactar: osgriffins.blogspot.com.br

QUESTÕES

Com base no texto acima e nos episódios mencionados, respondam as questões a seguir.

1. A partir do texto, explique a diferença entre dedução e indução.

2. Crie você um argumento dedutivo e um argumento indutivo sobre qualquer assunto.

A filosofia pode ensinar o que o Google não pode (notícia)

 


Livre tradução e adaptação do texto publicado no jornal britânico The Guardian.







Seja com a invenção de carros sem motorista, ou nos telefones quando ligamos para o banco ou para uma loja: todos sabemos que os robôs estão chegando, e em muitos casos já estão aqui. Em 2013, economistas da Oxford University’s Martin School estimaram que, nos próximos 20 anos, mais de metade de todos os empregos serão substituídos por tecnologias inteligentes. Como essa perspectiva de uma vida auxiliada por robôs, é tolo negar que as crianças que estão na escola hoje entrarão num local de trabalho muito diferente amanhã - e isso se tiverem sorte. [...] Os futurólogos preveem que os trabalhos administrativos e burocráticos serão cada vez mais terceirizados para "máquinas", bem como os trabalhos manuais.

Diante disso, como os educadores devem preparar os jovens para a vida cívica e profissional numa era digital? [...] Redobrar o investimento em ciência, tecnologia, engenharia e matemática não vai resolver o problema, pois: o treinamento em altas tecnologias tem suas limitações imaginativas.

Num futuro próximo, os que abandonaram a escola precisarão de outras habilidades. Em um mundo onde o conhecimento técnico é cada vez mais restrito, as habilidades e a confiança para percorrer disciplinas será recompensado. Precisaremos de pessoas que estejam preparadas para perguntar e responder às perguntas que não são encontradas no Google, como: Quais são as ramificações éticas da automação das máquinas? Quais são as consequências políticas do desemprego em massa? Como devemos distribuir a riqueza em uma sociedade digitalizada? Como sociedade nós precisaremos estar mais familiarizados com a Filosofia para discutirmos tais questões. 

Em meio às incertezas políticas de 2016, o presidente irlandês Michael D Higgins lançou uma luz nesta área. "O ensino da filosofia", disse ele em novembro, "é uma das ferramentas mais poderosas que temos à nossa disposição para capacitar as crianças a atuar como sujeitos livres e responsáveis em um mundo cada vez mais complexo, interconectado e incerto". A sala de aula, ele enfatizou, oferece um "caminho para uma cultura democrática humanista e vibrante".

Em 2013, enquanto a Irlanda lutava contra os efeitos da crise financeira, Higgins lançou uma iniciativa nacional que pedia um debate sobre o que a Irlanda valorizava como sociedade. O resultado é que em setembro, pela primeira vez, a filosofia foi introduzida nas escolas irlandesas. O curso para jovens de 12 a 16 anos provoca os jovens a refletirem sobre questões que - até agora - estavam ausentes dos currículos escolares. No Reino Unido, uma rede de filósofos e professores ainda está tentando implantar algo parecido. E na Irlanda, uma nação que já foi considerada "o país mais católico", já está explorando reformas para estabelecer a filosofia para as crianças como um assunto dentro das escolas primárias.

Esta expansão da filosofia no currículo é algo que Higgins e sua esposa Sabina, graduado em filosofia, pediram expressamente. As opiniões de Higgins estão à frente de seu tempo. Se alguns educadores assumem que a filosofia é inútil, é justo dizer que muitos filósofos acadêmicos ainda são territoriais ou ignorantes sobre a viabilidade de tratarem do assunto para além da academia. Se por um lado os educadores precisam ficar sábios, por outro lado os filósofos precisam superar a si mesmos.

O pensamento e o desejo de compreender não vêm naturalmente - ao contrário do que Aristóteles acreditava. Diferentemente, digamos, do sexo e da fofoca, a filosofia não é um interesse universal. Bertrand Russell aproximou-se disso quando disse: "A maioria das pessoas prefere morrer do que pensar; na verdade, é isso que fazem ". Embora possamos todos ter a capacidade de filosofar, é uma capacidade que requer treinamento e "cutucões" culturais. Se a busca da ciência requer algum andaime cognitivo, como argumenta o filósofo norte-americano Robert McCauley, então o mesmo vale para a filosofia.

A filosofia é difícil. Abrange a dupla exigência de trabalho árduo e um supervisor sério. Isso nos obriga a superar os preconceitos pessoais e as armadilhas no raciocínio. Para isso é necessário o diálogo tolerante, e imaginar pontos de vista divergentes enquanto os avalia. A filosofia ajuda as crianças - e os adultos - a articular perguntas e a explorar respostas que não são facilmente extraídas pela introspecção ou pelo Twitter. No seu melhor, a filosofia coloca ideias, não egos, na frente e no centro. E é a própria fragilidade - a não-naturalidade - da filosofia que exige que ela seja incorporada, não apenas nas escolas, mas nos espaços públicos.

A filosofia não vai trazer de volta os trabalhos perdidos para os robôs. Não é uma cura para todos os problemas atuais ou futuros do mundo. Mas pode construir uma imunidade contra julgamentos descuidados, e certezas não avaliadas. A filosofia em nossas salas de aula poderia nos preparar melhor para perceber e desafiar os conhecimentos convencionais da nossa era. Talvez por isso não seja surpreendente que o presidente da Irlanda, um país que foi uma vez uma sub-teocracia, tenha entendido isso.

Os contos proibidos do Marquês de Sade (filme online)



O filme retrata os últimos dias de vida do polêmico Marquês de Sade. Por conta do caráter erótico dos seus escritos, Sade sofreu uma intensa perseguição político-religiosa ao longo de sua vida, tendo dificuldades em publicar seus contos. O filme filme mostra Sade vivendo num sanatório, depois de ter sido enviado para tratar sua suposta loucura.

Descartes (HQ)




Conheça um pouco da filosofia do francês René Descartes por meio dessa história em quadrinhos cômica retirada do livro Filósofos em Ação.

Debates: lógica, ética e política (sugestão de aula)



Há algum tempo um dos trabalhos que os alunos mais gostam de participar são os debates. Por meio deles tenho conseguido abordar questões de LÓGICA, ÉTICA E POLÍTICA. Logo abaixo explico como desenvolver debates em sala de aula atrelando-os aos conteúdos estudados nas suas aulas de filosofia:





1º PASSO: 

a) os alunos formarão grupos com até 6 integrantes. 

b) o professor selecionará uma série de temas que serão debatidos entre os grupos (algumas sugestões de temas: descriminalização do aborto; legalização da eutanásia; institucionalização da pena de morte; utilização de animais não-humanos em pesquisas científicas, legalização das drogas)

c) Para cada debate haverá um grupo pró e outro contra. Por exemplo, num debate sobre aborto haverá um grupo defendendo a descriminalização do aborto e um grupo se posicionando contra. O professor deve realizar um sorteio determinando o tema o posicionamento (pró ou contra) de cada grupo, bem como a data de cada debate.

2º PASSO: 

a) O professor deve esclarecer que o debate deve ser laico. Sugiro que um prazo de 2 deve ser dado aos alunos até o primeiro debate. Esse tempo é suficiente para eles realizarem pesquisas sobre o tema e montarem diversos argumentos para o debate.

b) O professor deve esclarecer com antecedência as regras do debate, além de sempre relembrá-las antes dos debates. As REGRAS são as seguintes:

I. O debate terá três rodadas

II. Na primeira rodada o grupo "pró" apresentará sua defesa e desenvolverá uma argumentação usando aproximadamente 5 ou 7 minutos. O grupo "contra" fará uma réplica com direito ao mesmo tempo. Por fim, o grupo "pró" deverá fazer um tréplica dentro do mesmo tempo estipulado. 

III. Na segunda rodada o mesmo procedimento é repetido, contudo, que inicia a rodada é o grupo contra.

IV. Na terceira rodada os grupos terão o direito a uma última fala. Cada grupo terá entre 5 a 7 minutos para fazer as considerações finais sobre o debate, reafirmando mais uma vez seu posicionamento e esclarecendo quaisquer dúvidas.

3º PASSO:

a) uma semana depois do último debate cada grupo deverá entregar um relatório. No relatório deverá conter informações sobre todos os debates realizados na turma: o que foi debatido em tal dia, quais argumentos foram apresentado, quem defendeu o quê.

b) Os CRITÉRIOS PARA AVALIAÇÃO do debate são:

I. Argumentação clara e consistente nas proposições levantadas.

II. Conhecimento sobre o tema.

III. Capacidade de reação na réplica e na tréplica.

IV. Respeito aos colegas de debate.

V. A qualidade do relatório dos debates.


Como abordar conteúdos de filosofia por meio dos debates?

LÓGICA:

Quando estou trabalhando lógica com os alunos os debates são utilizados para exercitar o aprendizado de falácia não-formais. Assim, solicito que os alunos identifiquem falácias utilizadas pelos grupos durante os debates. A ideia é que os alunos incluam no relatório as falácias que eles conseguiram identificar nos debates.

ÉTICA:

Quando estou ministrando aulas sobre ética peço aos alunos que construam para o debate pelo menos um argumento baseado em alguma teoria moral. Assim, por exemplo, peço que independente do tema ou do posicionamento do grupo (pró ou contra) eles precisam formular um argumento utilitarista para a sua defesa.

POLÍTICA:

Quando estou ministrando aulas de filosofia política uso os debates para explicitar noções do liberalismo político. Com isso, peço que os alunos construam para o debate ao menos um argumento liberal. Isto significa, os alunos devem construir argumentos baseados em noções como direitos individuais, liberdade política econômica, tolerância, tirania da maioria, etc.

Liberalismo político: John Locke (sugestão de aula)

Gostaria de compartilhar com vocês algumas estratégias metodológicas que utilizo nas minhas aulas quando o assunto é filosofia política. As práticas que eu descrevo abaixo são para uma primeira aproximação do aluno com o tema estudado. O Silvio Gallo chama esse tipo de prática de "sensibilização". Não acho esse termo muito bom, mas por falta de um melhor vou utilizá-lo aqui e em outras ocasiões.

Por meio da dinâmica a seguir tenho conseguido alcançar meu objetivo: envolver os alunos com o tema. Espero que ela também seja útil para outros colegas de profissão. 

PASSO A PASSO

1º PASSO: Peça aos alunos para formarem grupos com até 5 integrantes e se organizarem em pequenos círculos. 

2º PASSO: Exponha para eles o seguinte cenário fictício: eles fazem parte de um grupo que vive vivendo em mundo sem Estado, não há leis escritas. Esse grupo não vive numa situação de plena violência, todos reconhecem que cada indivíduo possuem direitos básicos que devem ser respeitados. No entanto, mesmo assim é comum que alguns indivíduos atentem contra a integridade física de outros. O grupo então decidi criar um poder central,o Estado, para fiscalizar essa convivência, assegurando a integridade de todos. 

3º PASSO: Solicite aos alunos que eles discutam e cheguem a um consenso sobre: a) Três direitos fundamentais que cada indivíduo deve possuir e que cabe ao Estado assegurar; b) Duas medidas que podem ser adotadas pelo grupo caso os administradores do poder estatal desrespeitem esses direitos. 

4º PASSO: Diga para os alunos escreverem numa folha separada o que foi decidido. Eles devem ainda justificar as escolhas. Recolha as folhas. 

DISCUSSÃO: O objetivo dessa sensibilização é preparar o aluno para o tema "liberalismo político". Quando trabalho liberalismo com os alunos faço uma abordagem menos centrada em um autor, e sim nos temas relevantes para essa corrente teórica como: direitos individuais, tirania da maioria (Stuart Mill), separação dos poderes (Montesquieu), tolerância (Locke/Popper), direito de resistência (Locke/Thoreau). Contudo, o ponto de partida da discussão liberal é sempre a noção de direitos individuais, ou direito natural, formulada por Locke no "Segundo tratado sobre o governo". 

Por meio da atividade acima é possível abordar a concepção lockeana de direito natural, apontando sua relevância a tradição liberal e para as democracias modernas. O conceito de contrato social formulada por Locke também pode ser discutida por meio dessa atividade, bem como a crítica lockeana ao absolutismo da filosofia política de Hobbes. Além disso, o professor pode explicar a noção de direito de resistência presente na tradição liberal. Para isso, deve-se explicar em quais situações Locke considera legítima a dissolução de um governo. É possível também uma exposição da noção de "desobediência civil", tomando por base o clássico manuscrito de Thoreau.

Leviatã de Thomas Hobbes (sugestão de aula)

Gostaria de compartilhar com vocês algumas estratégias metodológicas que utilizo nas minhas aulas quando o assunto é filosofia política. As práticas que eu descrevo abaixo são para uma primeira aproximação do aluno com o tema estudado. O Silvio Gallo chama esse tipo de prática de "sensibilização". Não acho esse termo muito bom, mas por falta de um melhor vou utilizá-lo aqui e em outras ocasiões.

Por meio da dinâmica a seguir tenho conseguido alcançar meu objetivo: envolver os alunos com o tema. Espero que ela seja útil também para outros colegas de profissão. 

PASSO A PASSO

1º PASSO: Peça aos alunos para formarem grupos com até 5 integrantes e se organizarem em pequenos círculos.

2º PASSO: Exponha para eles o seguinte cenário fictício: eles fazem parte de um grupo que vive vivendo em mundo sem Estado, não há leis escritas. Cada um é juiz, legislador e executor da lei. Todos os indivíduos desse grupo são extremamente agressivos. Diante dessa situação todos acabam tendo medo de uma morte violenta. Contudo, eles querem sair dessa condição, e o caminho seguido pelo grupo fundar o Estado, garantindo assim a segurança de todos.

3º PASSO: Solicite aos alunos que eles discutam e cheguem a um consenso sobre: a) Três leis fundamentais que devem ser estabelecidas com o surgimento do Estado; b) A forma de governo que esse Estado deve adotar. Lembre os alunos que as escolhas devem ser tomadas tendo em vista que eles buscam sair daquela condição onde todos temem uma morte violenta.

Obs: É importantes que os alunos já tenham um conhecimento básicos de filosofia política sobre "formas de governo".

4º PASSO: Diga para os alunos escreverem numa folha separada o que foi decidido. Eles devem ainda justificar as escolhas. Recolha as folhas.

DISCUSSÃO: O objetivo dessa sensibilização é preparar os alunos para o estudo da filosofia política de Thomas Hobbes. Depois dessa dinâmica eu faço uma breve introdução explicando qual é o tema do livro "Leviatã" de Thomas Hobbes. Nas aulas subsequentes começo a explicar conceitos como estado de natureza, sociedade civil e contrato social. Mostro para os alunos como que essas ideias estavam presentes na dinâmica que eles realizaram. Depois de algumas as aulas sobre o tema, procuro discutir a atualidade do hobbesianismo político. Por fim, levo as atividades feitas pelos alunos na primeira aula e discutimos qual grupo escolheu uma forma de governo que está mais próxima da forma considerada mais apropriada por Hobbes.